Transtorno bipolar


Sorrindo
Com lágrimas nos olhos
Gargalhadas sorumbáticas
Quebrando o silêncio
Euforia e disforia
São duas gêmeas siamesas
Que se abraçam e se fundem
Numa tragicomédia da vida real
E quem disse que rir de tudo é desespero
Não sabia o quão desesperante é não rir
Há dias em que a vida tem gosto de tédio
E as tardes têm gosto de remédio
Há dias em que você pede pra não ter nascido
E não deseja abrir os olhos
E enquanto a febre não passa
Eu me divirto com minhas fúteis dores de cabeça
E com as palavras cruzadas que eu não sei resolver
Cada vez mais calado, cada vez mais disperso
Meu mundo é do tamanho de um grão de areia
E minha cidade me consome
Aqui moram pessoas sem rosto e sem nome
Em minha casa sempre há poeira
Revestindo os móveis
E revestindo os pulmões
Ontem pensei em me matar
Mas hoje você me sorriu
E amanhã?
O amanhã é uma incógnita
Tão fria quanto um cubo de gelo
Tão cruel quanto o pior dos algozes
E o pior dos algozes sou eu
Pois sou o meu próprio carrasco
O mocinho e o bandido
O herói e o vilão
Mr. Hyde e Dr. Jekyll eram a mesma pessoa
Duas faces da mesma moeda
Dois lados de uma mesma verdade
Agora estou tão cansado
A ponto de querer correr uma maratona
Agora estou tão animado
A ponto de querer dormir a tarde inteira
Ao final do dia sempre fica a mesma pergunta:
Por que faz tanto frio nas noites de verão?

                                                                       Gian

Vício


Uns cheiram éter
Outros cocaína
Alguns fumam maconha
E há os que injetam heroína
Também há quem prefira ecstasy
E quem use anfetamina...
Quanto a mim?
Eu escrevo poesias.

                           Gian

Quão perto é o longe?


Estamos tão perto
E tão longe
Tão longe de sermos aquilo que eu pensava
Tão longe do mundo
Tão longe de tudo que sonhava
Quando foi que tudo se perdeu?
E quem mais perdeu foi você ou fui eu?
O que mais corta é a sua indiferença
Temperada com esse sorriso cativante
Difícil é tentar esquecer
Difícil é ver você assim distante
E se palavras não valem nada
Então o melhor é ficar calado
Com meu espírito tosco
Com meu semblante tosco
Com esse tosco coração
Que por ti não foi lapidado
Eu sei que sou apenas um tolo
Por mim mesmo enganado
Difícil não é estar longe
Difícil é estar longe do seu lado
                                                  
                                                              Gian

À descoberta do amor - Mahatma Ghandi

Ensaia um sorriso e oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança e vive à sua luz.
Enriquece-te de bondade e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor e fá-lo conhecer ao mundo.

                                                                 Mahatma Ghandi

Ele só tinha dezesseis, que isso sirva de aviso pra vocês

Pra quem não conhece, a música "dezesseis", da Legião Urbana, tem a letra baseada em um enredo, contando uma estória, no mesmo estilo de "Eduardo e Mônica" e "Faroeste Caboclo".



E na saída da aula, foi estranho e bonito
Todo mundo cantando baixinho:
Strawberry Fields Forever

Eu mudo


Me disseram pra mudar
Então
Eu mudo
Transformo tudo

E mesmo com tudo
Transformado
Eu mudo
Calado em mim

Sábio aquele que disse: mais preocupante que o grito dos maus é o silêncio dos bons

                                      Gian

Fim de férias ...e young folks

Música: Young folks
Artista: Peter, Bjorn & John

Música "Aos meus heróis"

Encontrei a letra dessa música e achei interessante. Ela foi composta por Julinho Marassi e Gutemberg, dois músicos do rio de janeiro. "Aos meus heróis" foi escrita, segundo Julinho, "por saudade da mpb e de escutar todos esses artistas" que fizeram parte de sua juventude. Abaixo está um vídeo da música (as imagens e o áudio não estão muito bons).


Música: "Aos meus heróis"
Composição : Júlio Marassi e Gutemberg

Faz muito tempo que eu não escrevo nada,
Acho que foi porque a TV ficou ligada
Me esqueci que devo achar uma saída
E usar palavras pra mudar a sua vida.

Quero fazer uma canção mais delicada,
Sem criticar, sem agredir, sem dar pancada,
Mas não consigo concordar com esse sistema
E quero abrir sua cabeça pro meu tema

Que fique claro, a juventude não tem culpa.
É o eletronic fundindo a sua cuca.
Eu também gosto de dançar o pancadão,
Mas é saudável te dar outra opção.

Os meus heróis estão calados nessa hora,
Pois já fizeram e escreveram a sua história.
Devagarinho vou achando meu espaço
E não me esqueço das riquezas do passado.

Eu quero “a benção” de Vinícius de Morais,
O Belchior cantando “como nossos pais”,
E “se eu quiser falar com…” Gil sobre o Flamengo,
“O que será” que o nosso Chico tá escrevendo.

Aquelas “rosas” já “não falam” de Cartola
E do Cazuza “te pegando na escola”.
To com saudades de Jobim com seu piano,
Do Fábio Jr. Com seus “20 e poucos anos”.

Se o Renato teve seu “tempo perdido”,
O Rei Roberto “outra vez” o mais querido.
A “agonia” do Oswaldo Montenegro
Ao ver que a porta já não tem mais nem segredos.

Ter tido a “sorte” de escutar o Taiguara
E “Madalena” de Ivan Lins, beleza rara.
Ver a “morena tropicana” do Alceu,
Marisa Monte me dizendo “beija eu”
Beija eu, Beija eu Deixa que eu seja eu
Beija eu, beija eu deixa qe eu seja eu

O Zé Rodrix em sua “casa no campo”
Levou Geraldo pra cantar no “dia branco”.
No “chão de giz” do Zé Ramalho eu escrevi
Eu vi Lulu, Benjor, Tim Maia e Rita Lee.

Pedir ao Beto um novo “sol de primavera”,
Ver o Toquinho retocando a “aquarela”,
Ouvir o Milton “lá no clube da esquina”
Cantando ao lado da rainha Elis Regina.

Quero “sem lenço e documento” o Caetano
O Djavan mostrando a cor do “oceano”.
Vou “caminhando e cantando” com o Vandré
E a outra vida, Gonzaguinha, “o que é?”

Atenção DJ faça a sua parte,
Não copie os outros, seja mais “smart”.
Na rádio ou na pista mude a seqüência,
Mexa com as pessoas e com a consciência.

Se você não toca letra inteligente
Fica dominada, limitada a mente.
Faça refletir DJ, não se esqueça,
Mexa o popozão, mas também a cabeça

Em dúvida

Se compro um divã,
escrevo um poema,
reformo o mundo,
ou lavo os dentes.

Ou, ou,
quem sabe,
nenhuma alternativa.

Dúvida, dívida das
minhas certezas.
Tantas e tantas, por
eternos tempos que a
cada instante se
transformam em
interrogações, exclamações,
dor, choro e até riso
cínico.

                    Jacob Pinheiro Goldberg

Beirut


Beirut é o nome de uma banda americana originária de Santa Fé, Novo México, e criada em 2006, pelo vocalista Zach Condon.
Escutei o Beirut pela primeira vez através da minissérie Capitu, exibida há alguns anos na globo, e desde então passei a conhecer mais sobre a banda. Com um som inovador, que mistura elementos do folk, do pop e da música do leste europeu, o grupo se utiliza de vários instrumentos musicais, como violoncelos, violinos, ukuleles, saxofones, trompetes e sanfonas, os quais, unidos a voz melodramática de Condon, resultam em algo inusitado.
A banda no ínicio não teve seu valor reconhecido. As coisas só começaram a melhorar quando eles lançaram o CD "Gulag Orkestar", sobre o qual a imprensa musical britânica fez a seguinte crítica: " Um sublime misto de otimismo e de demissão... Um álbum maravilhosamente estranho e maravilhoso."
Abaixo, o clipe da música mais conhecida do grupo: "Elephant Gun".



Os caras também participaram de um projeto de um site francês, no qual gravaram algumas músicas ao vivo em ruas e cafeterias de algumas cidades. Abaixo, o vídeo da música "Nantes", gravado nas ruas de Paris.



Destaque também para as músicas "Postcards from Italy", "Scenic World", "The Penalty" e "Transatlantique".

après-midi pluvieux


Vendo a chuva fina cair no telhado
O horizonte parece embaçado
Enquanto gotas respingam na vidraça
E a brisa gelada sopra em minha face

Tenho pensado em tanta coisa nestes dias
Tenho buscado o porquê de coisas inexplicáveis
Tenho tentado dar vida ao que não existe
Tenho saudades dos momentos que ainda não vivi

A chuva abafa o som do silêncio
E o silêncio é o que há de mais valioso
Palavras são apenas palavras
Que dizem muito pouco

As luzes da cidade se acendem
E a tarde parece ir embora
Como a água
Que escorre pelas mãos

Junto  com a tarde se vão meus pensamentos

Gian

Weezer - Perfect Situation

Weezer é uma banda estado-unidense de rock alternativo, formada em fevereiro de 1992. Até hoje, lançou sete álbuns, um EP, um DVD e mais recentemente um álbum remasterizado de seu álbum de estréia, com algumas músicas adicionais. Atualmente, a banda é formada por Rivers Cuomo (vocal e guitarra), Brian Bell (guitarra), Scott Shriner (baixo), Patrick Wilson (bateria). As principais características da banda são o estilo nerd e os clipes sempre criativos e irreverentes.


No clipe "Perfect Situation", que conta com a participação da atriz Elisha Cuthbert, é inventada uma história para contar como o Weezer foi criado.




Confira também os clipes de "Sland in the sun", "Keep fishin (com a participação dos muppets)", "Pork and beans" e "Beverly Hills".

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

                           Carlos Drummond de Andrade

Renato Russo e Adriana Calcanhotto - Esquadros

Encontro entre Renato Russo e Adriana Calcanhoto, no programa Por acaso, de 1994. Fazendo um dueto com Adriana, Renato mostra que também cantava (e muito bem) MPB. A letra da música “Esquadros” é carregada de significados e referências.




Segue abaixo a análise de Noemi Jaffe (professora e doutora de literatura pela usp), retirada do site www.adrianacalcanhotto.com:
"O sujeito da canção 'esquadros' começa definindo seu olhar sobre o mundo como um filtro mediador, um investigador metonímico da realidade que, ao invés de olhar as coisas, presta atenção nas cores das coisas ou, o que é ainda mais distante, na identificação das cores: “Cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo, cores...”, como se o cinema de um e a arte do outro pudessem ensinar esse eu encapsulado a olhar o real, que, no entanto, ao invés de aproximar-se, parece se distanciar cada vez mais e provocar a melancolia que percorre a canção e que provoca tantas perguntas.
“Esquadro” tem a mesma origem que“esquadrinhar”, “escrutar”, “perscrutar”, que significam sondar, buscar minuciosamente; “esquadro” ainda acrescenta a idéia de medir algo minuciosamente, munido de um instrumento medidor. Na canção, os olhos desse perscrutador do mundo estão enquadrados, "esquadrados", inevitavelmente instrumentalizados para ver, mesmo quando, quem sabe, gostariam de não estar. Trata-se de uma hiper-consciência do mundo que, nesse momento, lembra a angústia de um poema como “Os Ombros Suportam o Mundo”, de Drummond: “Ficaste sozinho, a luz apagou-se,/ mas na sombra teus olhos resplandecem enormes”. O sujeito da canção poderia até ser o mesmo eu-lírico do poema, cujos olhos – sua consciência – teimam em manter-se abertos, mesmo quando um eu exaurido gostaria de poder fechá-los.
Um eu que diz, na canção, que quer chegar antes – antes de quem? antes de quê? por quê? – para filtrar os graus de cada coisa e sinalizar seu estar. Mas tanto os filtros quanto a sinalização parecem dissolver-se diante da coisidão, da verdade dos “meninos que têm fome” e que continuam a ter fome, a despeito desse olhar fino que se debruça sobre eles e que chora ao telefone.
No estribilho – “pela janela do quarto/ pela janela do carro/ pela tela, pela janela/ (quem é ela, quem é ela?)/ eu vejo tudo enquadrado/ remoto controle” –, o controle remoto – objeto que normalmente serve para dar liberdade ao usuário, permitindo que ele faça suas escolhas sem mudar de posição e que possa alterar aquilo que não lhe convém – torna-se um “remoto controle”. A inversão da expressão mostra o quanto os enquadramentos só existem, na verdade, como ilusão de controle e como tudo está sempre nos escapando. Como se os esquadros (“uma segunda pele, um calo, uma casca, uma cápsula protetora”), que controlam as dimensões do objeto medido, servissem aqui como medida não de reconhecimento, mas de afastamento: “eu vejo tudo enquadrado”.
O olhar esquadrinhador e interpretativo como que suspende o indivíduo do transcorrer mecânico das coisas e ele não consegue, assim, pertencer a nada: “os automóveis correm para quê?”; “as crianças correm para onde?”; “eu canto para quem?”.
É justamente nas perguntas angustiadas sobre o seu lugar no mundo, seu significado, sua função, que o eu, porque canta, porque faz estas perguntas dentro de uma canção, acaba conseguindo sair do esquadro. É como se tudo se encaminhasse angustiadamente, a melodia inclusive, para a pergunta final: “meu amor, cadê você?”. Nesse momento, que deveria ser o clímax da angústia, tudo pode finalmente se desenquadrar e o sujeito pode, enfim, se reaproximar do mundo."